O artigo abaixo tras um breve resumo da história do Haiti que é muito importante para entendermos a situação atual daquele país:
Neste momento a população do Haiti já era quase que exclusivamente africana já que a população indígena fora dizimada e a França teve que importar mão de obra escrava da África.
Palco da maior rebelião de escravos até hoje realizada, o pequeno país se fez grande ao pegar o embalo da Revolução Francesa e se tornar livre em 1794 e um ex-escravo, Toussaint l'Ouverture, tornou-se governador geral. Poucos anos depois, as tropas de Napoleão invadiram a ilha Hispaniola e promoveram um banho de sangue e retomaram o poder.
Entretanto a resistência haitiana foi forte e derrotou o exército de Napoleão no auge do seu poderio. Entre os anos de 1803 e 1804 o líder Jacques Dessalines expulsou os franceses e declarou a independência do país, tornando-se imperador. Pouco tempo depois, em 1806, Dassalines foi deposto e morto e, a partir de então, o Haiti passou a ser governado por uma “elite mulata” composta dos descendentes dos antigos colonizadores que possuíam pequenas propriedades.
[Perceba que o período entre a chegada dos africanos como escravos e a chegada dos mesmos ao poder da ilha foi curto (aproximadamente 100 anos), a maioria da população tentava reviver seu modo de produção coletivo que conhecia da áfrica, entretanto já havia uma elite mestiça que possuía pequenas propriedades e, por sua vez, as defendiam e isso se tornou a base dos conflitos políticos que estariam por vir.]Em 1818 o general Jean-Pierre Boyer que comete erros fatais que comprometeram o futuro do Haiti e explica boa parte dos problemas atuais. O primeiro foi a compra do reconhecimento da independência do pais com o pagamento de 150 milhões de francos à França. Esse valor, se corrigido e atualizado para os valores atuais representa algo em torno de 40 bilhões de dólares.
O segundo erro foi a retomada da parte oriental da ilha que estava sob o comando da Espanha. Além do dispêndio econômico da ação militar contra uma região que ainda era colônia espanhola, não mais existia grande unidade cultural e étnica pelo fato da população indígena inicial ter sido dizimada e cada uma das metrópoles ter conduzido a colonização à sua maneira, importando escravos com mais ou menos intensidade, de regiões distintas da África.
Não demorou muito para novas revoltas derrubarem Boyer e o lado espanhol da ilha declarar-se independência e tornar-se a República Dominicana em 1844.
Nos anos seguintes a situação política do Haiti permaneceu conturbada. A população permanecia constantemente em confrontos armados com os governos que ascendiam ao poder, quase todos oriundos da elite mestiça.
Em 1915 os EUA ocupam o Haiti com suas forças militares em uma onda expansionista pela América Central. Seguindo a ufanista concepção do “Destino Manifsto” - que era a ideologia que sustentava a crença de que, por indicação da Providencia Divina, os EUA deveriam manter a ordem em toda a América – Os estadunidenses ocuparam também outros países como o Panamá, República Dominicana, Nicarágua e Cuba. A ocupação Americana no Haiti se mantém até 1934 quando a conjuntura política e econômica mundial obrigou os EUA a mudarem sua postura em relação à América Latina, adotando a política da Boa Vizinhança (veja no quadro ao lado).
Em 1957, origina-se o período mais tarde conhecido como a era Duvalier, com a ascensão de François Duvalier, o Papa Doc ao poder. Uma característica peculiar desse novo ditador é o nacionalismo e o uso da religião tradicional, o Vudu, como ferramenta de dominação.
A partir de então o país passou ao comando de uma força militar da ONU, operada principalmente pelo Brasil, mas sob o comando, é claro, dos EUA.
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