Movimento Estudantil Libertário

Uma interpretação libertária do Movimento Estudantil, economia e política.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A Fórmula 1 e a necessidade de ter patrões

A cultura capitalista criou uma divisão em duas categorias de pessoas: As que gerenciam e mandam e as que produzem.

É uma divisão cômoda, afinal o trabalho de planejar e mandar, supostamente exige alto grau de estudo acadêmico, coisas que os mais pobres dificilmente tem acesso. Por conta disso, quando há uma relação entre classes é fácil que uma delas se imponha pra cima da outra se baseando no seu poder economico ou político.

Mas o que acontece quando só tem rico no esquema? pessoas com a esperteza suficiente para não serem mandados por qualquer um. Que merda sai dessa briga?

Na Fómula 1, provavelmente o esporte mais burguês, está acontecendo exatamente isso. Para os mais desenformados ou que estão pouco se lixando para esse esporte e as brigas dos ricos, segue uma notícia para contextualizar com o resto desse artigo: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Formula_1/0,,MUL1199869-15011,00-SEM+ACORDO+COM+A+FIA+EQUIPES+ROMPEM+COM+A+F+E+LANCAM+CATEGORIA+PARALELA.html

Pois bem, antes de continuar é preciso entender como a organização da fórmula 1 se deu históricamente.

Como todo início, tudo era bastante simples: Alguns construtores de carros (nenhum deles era uma grande potencia já que estamos falando da primeira metade do século passado). Um grupo de pessoas (geralmente por gostarem de carros e do esporte e não por dinheiro) organizavam corridas, as que se tornaram mais tradicionais e distribuiam alguma grana pros vencedores passaram a ser chamadas de Grande Prêmio (GP).

Devido ao crescimento do interesse pelos eventos, os construtores se reuniram e organizaram as primeiras temporadas, ou seja, campeonatos de um ano entre equipes que podiam rodar a europa tirando rachas.

Portanto, o campeonato é essencialmente das equipes! Em um determinado momento passaram a contratar algum promotor (ou empresa promotora de eventos) para organizar o campeonato já que eles tinham mais é que cuidar dos carros. Porém, o campeonato continuava ser das equipes com seus respectivos carros e pilotos.


A Federação Internacional de Automobilismo é, nada mais, do que uma associação desses construtores de carros que disputam corridas internacionais. Seu presidente, Max Mosley, deveria se portar como representante dessas equipes e não como dono da categoria.

Onde eu quero chegar com isso?

O que aconteceu na F1 é o que acontece também em outras situações: Existe a mafia das feiras, dos taxistas, dos perueiros, das associações de fretamento de ônibus etc.

A principio toda organização deveria ser dos produtores, no caso, os feirantes, os taxistas, os usuarios dos onibus, etc. Mas, num determinado momento alguem se apodera da organização e simplesmente vira dono e todos os demias viram seus clientes ou empregados.

Sendo assim, pouco importa se as equipes rebeldes da Fórmula 1 estão com a razão em relação a seus interesses em não limitar o investimento financeiro no desenvolvimento dos seus carros. Se eles querem torrar o dinheiro deles que façam, o problema é deles.

Porém, se só existem corridas porque eles tem os carros, os pilotos etc, então o evento é deles.
Bom seria se todos os explorados por usurpadores espertalhões fizessem o mesmo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

AI-5: 40 anos depois

As grandes greves e manifestações de estudantes e trabalhadores ocorridas no mês de maio de 1968, na França, abalaram o mundo. O movimento era político, contra o sistema capitalista explorador e também contra o regime genocida da União Soviética, mas era, sobretudo, um movimento anticonservador que, definitivamente, dividiu a história da humanidade em duas etapas distintas.

No Brasil teve início uma grande radicalização da oposição ao governo de Costa e Silva. Em Osasco (SP), os operários haviam entrado em greve. No Rio de Janeiro, a morte do estudante Edson Luís de Lima Souto comovera a cidade e resultou na grande passeata dos 100 mil. Na capital federal, a Universidade de Brasília (UnB) sofreu a pior invasão pelos militares, quinhentos alunos passaram o dia sob o cerco da polícia, centenas foram espancados, 50 foram levados à delegacia e um levou um tiro no olho.

À luz dos acontecimentos, as vésperas do 7 de setembro, o deputado federal Márcio Moreira Alves (MDB-guanabara) subiu à tribuna para proferir discursos incisivos contra o militarismo:

“Creio haver chegado, após os acontecimentos de Brasília, o grande momento da união pela democracia, este é também o momento do boicote. (...). É preciso que se estabeleça, sobretudo por parte da mulheres, como já se estabeleceu nessa casa, por parte das mulheres parlamentares da arena, o boicote ao militarismo.Vem ai, o 7 de setembro. As cúpulas militaristas procuram explorar o sentimento profundo do patriotismo do povo e pedirão aos colégios que desfilem juntos com os algozes dos estudantes. Será necessário que cada pai, cada mãe, se compenetrassem de que a presença dos seus filhos nesse desfile é um auxilio aos carrascos que os espancam e os metralham nas ruas, portanto, que cada um boicote esse desfile.Esse boicote pode passar também, sempre falando de mulheres, as moças, aquelas que dançam com cadetes e namoram jovens oficiais (...).(...) é possível resolver essa farsa, essa democratura (...) quando todo e qualquer contato entre civis cessar. (...) só assim poderemos fazer com que esse pais volte a democracia".

* Veja o video (reconstituição) no youtube:


Esse discurso é considerado como o estopim do AI-5, na verdade o governo de Costa e Silva apenas aguardava um fato para por em prática o fechamento do congresso e o discurso do Márcio Moreira Alves desencadeou o processo.

A princípio o governo pediu autorização para o congresso para processar o parlamentar, porém, até mesmo os deputados da ARENA foram a favor da liberdade de expressão, pois a punição ao Moreira Alves representaria o fim definitivo da autonomia do poder legislativo. Com a negativa do Congresso em autorizar o processo contra um deputado o governo tomou a simples decisão de fechar o congresso e de endurecer o regime.

O Ato Instiucional nº 5 (AI-5), decretou recesso do Congresso Nacional, a possibilidade de intervenção nos estados e municípios sem as limitações previstas na Constituição, poder ao presidente para cassar mandatos eletivos e suspender os direitos políticos de qualquer cidadão, proibiu qualquer reunião de cunho político, poder de censura prévia que se estendia à música, jornal, cinema etc.O restabelecimento da chamada democracia não garantiu um verdadeiro estado de direito, continuamos sob uma ditadura das grandes instituições e corporações detentoras do capital.

Fazendo um paralelo a um acontecimento recente, onde estivemos envolvidos diretamente, a Igreja Católica é uma dessas instituições que controlam a sociedade, dita, democrática. A Igreja Católica, primeiramente, se apropriou de Deus, de vastas terras, propriedades urbanas e da educação com sua grande rede de escolas e universidades. A Universidade Católica de Santos é uma delas, é administrada pela Diocese de Santos, ligada à CNBB. O poder da instituição e seu poder econômico lhe dão a prerrogativa de ignorar as leis. Uma instituição educacional, mesmo que privada, tem deveres perante a sociedade (definidos por lei). Quando se trata de uma instituição finaltrópica e ligada a igreja tal responsabilidade é ainda maior.

No entanto a Unisantos se comporta como uma empresa comum e não abre suas contas para os estudantes, muito menos para a sociedade. Quando o poder de uma instituição ditatorial é afrontado a saída encontrada é o uso da força bruta, nesse caso o aparelho de repressão do Estado (a polícia). A Unisantos e a Mitra-Diocesana mandaram a polícia restabelecer a ordem perturbada pelos estudantes com o uso da força. O fim do AI-5 em 1978 não pode ser, de fato, comemorado. Na prática, vivemos num regime de exceção onde a liberdade de um termina no poder econômico do outro.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O Mito do Administrador Padrão

"Alckmin fala abertamente em ajuste das contas públicas, redução de gastos, eficiência na gestão e corte de impostos".
Revista Época 20/03/06

O trecho supracitado espelha a teor da propaganda oficial do PSDB que enfatiza supostas qualidades do governador de São Paulo. Tais qualidades são difíceis de comprovar sua veracidade para o eleitor comum. Quando um candidato diz que fez um grande trabalho pela educação, saúde, segurança ou transportes, o discurso vazio é automaticamente desmascarado pelos cidadãos que utilizam diretamente tais serviços. Alguém que sofre pra ser atendido em um hospital ou que tem sua qualidade de vida suprimida devido à falta de investimento em transporte público não pode ser enganado tão facilmente, pois a dura realidade se apresenta diariamente em seu cotidiano.

Porém, quando o assunto é finanças públicas, afirmações absolutamente inconsistentes como as que se referem ao tal saneamento das contas passam desapercebidas. Quando se tratam de bilhões perde-se a referência sobre o que é caro e o que é barato, existe um abismo entre a verdade e o discurso proferido pelos tucanos e, infelizmente, a grande mídia não contribui para esclarecer tal questão para o eleitorado.

O valor da dívida em 1995, no início da gestão Covas, era de R$ 51,04 bilhões.
(http://www.normangall.com/brazil_art13.htm).

Em 2005 a dívida atingiu R$ 111,9 bilhões.
(www.fazenda.sp.gov.br/gestao_fiscal/ gestao_fiscal_2005.pdf).

Sendo assim, a dívida durante a gestão PSDB em São Paulo cresceu 119%. Bem acima da inflação do período.

O governo publica em seu site oficial (www.fazenda.sp.gov.br/ajustes) um resumo das seus êxitos financeiros. Porém, omite o valor absoluto da dívida e em seu lugar prefere informar um fator ilusório, que passa uma falsa impressão de diminuição da dívida, veja o gráfico ao lado e compare com os valores absolutos da tabela:

Fazendo uma comparação com o valor da dívida em 2002 verifica-se a artimanha utilizada pelo governo estadual para esconder o descontrole em relação ao crescimento da dívida.

Apesar do gráfico mostrar uma linha descendente, na realidade, a dívida aumentou 24%. O truque se dá porque a receita aumentou consideravelmente através da alta carga tributária praticada em São Paulo.

O Gráfico passa a impressão de que a dívida de 2005 ficou no mesmo patamar que se encontrava em 2001, porém a dívida naquele ano foi de R$ 70,8 bilhões (63% menor que a dívida em 2005). A tabela abaixo mostra um panorama mais real por citar o valor do montante da dívdia em Reais.


Segue abaixo um trecho retirado do site receita.sp.gov.br/ajustes:

“Vale lembrar a herança recebida no início do Governo Covas: em janeiro de 1995 houve necessidade de parcelamento da folha do funcionalismo; o atraso médio no pagamento de fornecedores era de mais de 6 meses; mais de 2.300 obras encontravam-se paralisadas com pagamentos atrasados em até 5 anos, os precatórios não eram pagos e as dívidas contratual e mobiliária vinham crescendo explosivamente em função dos elevados juros, que não eram pagos, mas sim capitalizado.

Hoje, os pagamentos estão em dia, os gastos sociais e investimentos são crescentes, a dívida financeira encontra-se rigorosamente em dia, os precatórios são pagos”.

Aparentemente o estado de São Paulo trabalha igual aquele cidadão endividado que não quer ter seu nome sujo na praça. Para ele, o que importa é ter as dívidas em dia para não perder o crédito, não importa o tamanho da dívida, desde que ela esteja em dia. O cidadão comum apela para o limite do cheque especial e, para cobrir o negativo do banco, pega empréstimos em financeiras, agiotas, etc. Chega uma hora que não tem mais jeito, é preciso vender algum patrimônio para cobrir a dívida.

O Estado de São Paulo fez o mesmo, privatizou boa parte do seu patrimônio, vendeu a CESP, CTEE, CPFL, Eletropaulo, Emae, Comgás, Fepasa, aeroportos, rodovias, Banespa e boa parte da Nossa Caixa. Com isso arrecadou R$ 34,5 bilhões.

Além de maior, a dívida continua atrasada. O estoque de precatórios não pagos totaliza hoje R$ 13 bilhões e há dívidas com sete anos de atraso, quase o dobro do prazo existente no início da gestão tucana, em 1995, quando Mário Covas assumiu o governo paulista.

O governo conseguiu “manter a pose” graças ao grande crescimento da arrecadação, este foi obtido através do aumento da carga tributária, fato comprovado já que a receita do estado cresceu 75,8% só de 2000 a 2005 enquanto o crescimento do PIB de São Paulo não chegou a 35%. Tal fato aponta para outra grande contradição do discurso do, agora candidato a presidente Geraldo Alckmin, que alega ter diminuído a carga tributária em São Paulo e promete fazer o mesmo durante sua possível presidência. É bastante curioso como uma gestão financeira tão fracassada esteja hoje pintada como um grande sucesso e a imagem do ex-governador esteja ligada à austeridade e responsabilidade. Somente com a conivência da mídia e com uma oposição sufocada é possível mascarar a realidade por tanto tempo. Em uma gestão federal, onde a exposição é maior, o mito do administrador padrão não sobreviverá.


Fontes:

Texto Base que foi contestado neste artigo.
http://www.fazenda.sp.gov.br/ajustes/
Matéria da revista Época de onde foi tirada a citação do Geraldo Alckmin que abre esse artigo.
http://www.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/MostraMateria.asp?cod=274635
Estudo feito a pedido da Folha de São Paulo sobre o atraso no pagamento dos precatórios.
http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=264456
Valor da dívida de 2001 a 2005.

http://www.fazenda.sp.gov.br/gestao_fiscal/gestao_fiscal_2005.pdf
Valor da dívida em 1995.
http://www.normangall.com/brazil_art13.htm
Valor da dívida em 1995 (debate record)
http://www.baraoemfoco.com.br/barao/economia/saopaulo.htm

Valor da inflação acumulada e evolução do valor do dólar.
http://www.calculos.com/consulta10.php

terça-feira, 1 de julho de 2008

Haiti: Soberania e Dignidade

O artigo abaixo tras um breve resumo da história do Haiti que é muito importante para entendermos a situação atual daquele país:


A situação atual do Haiti esconde a sua gloriosa história marcada pelo pioneirismo e pela riqueza e seu estudo nos revela o estrago que os ataques à soberania daquele povo resultaram.

A ilha Hispaniola, onde se localizam o Haiti e a República Dominicana foi o primeiro lugar das Américas onde pisaram e se instalaram os colonizadores espanhóis, foi lá que eles se organizaram para depois lançar ataque ao continente. Já no fim do século XVI, quase toda a população nativa havia desaparecido, escravizada ou morta pelos conquistadores.

Em 1697 a parte ocidental da ilha, onde hoje fica o Haiti, foi cedida à França e se veio a se tornar a mais próspera colônia francesa e sua economia se baseou na monocultura do açúcar, tanto que a economia colonial brasileira entrou em crise diante da concorrência do açúcar produzido nas Antilhas.

Neste momento a população do Haiti já era quase que exclusivamente africana já que a população indígena fora dizimada e a França teve que importar mão de obra escrava da África.

Palco da maior rebelião de escravos até hoje realizada, o pequeno país se fez grande ao pegar o embalo da Revolução Francesa e se tornar livre em 1794 e um ex-escravo, Toussaint l'Ouverture, tornou-se governador geral. Poucos anos depois, as tropas de Napoleão invadiram a ilha Hispaniola e promoveram um banho de sangue e retomaram o poder.

Entretanto a resistência haitiana foi forte e derrotou o exército de Napoleão no auge do seu poderio. Entre os anos de 1803 e 1804 o líder Jacques Dessalines expulsou os franceses e declarou a independência do país, tornando-se imperador. Pouco tempo depois, em 1806, Dassalines foi deposto e morto e, a partir de então, o Haiti passou a ser governado por uma “elite mulata” composta dos descendentes dos antigos colonizadores que possuíam pequenas propriedades.

[Perceba que o período entre a chegada dos africanos como escravos e a chegada dos mesmos ao poder da ilha foi curto (aproximadamente 100 anos), a maioria da população tentava reviver seu modo de produção coletivo que conhecia da áfrica, entretanto já havia uma elite mestiça que possuía pequenas propriedades e, por sua vez, as defendiam e isso se tornou a base dos conflitos políticos que estariam por vir.]

Em 1818 o general Jean-Pierre Boyer que comete erros fatais que comprometeram o futuro do Haiti e explica boa parte dos problemas atuais. O primeiro foi a compra do reconhecimento da independência do pais com o pagamento de 150 milhões de francos à França. Esse valor, se corrigido e atualizado para os valores atuais representa algo em torno de 40 bilhões de dólares.

O segundo erro foi a retomada da parte oriental da ilha que estava sob o comando da Espanha. Além do dispêndio econômico da ação militar contra uma região que ainda era colônia espanhola, não mais existia grande unidade cultural e étnica pelo fato da população indígena inicial ter sido dizimada e cada uma das metrópoles ter conduzido a colonização à sua maneira, importando escravos com mais ou menos intensidade, de regiões distintas da África.

Não demorou muito para novas revoltas derrubarem Boyer e o lado espanhol da ilha declarar-se independência e tornar-se a República Dominicana em 1844.

Nos anos seguintes a situação política do Haiti permaneceu conturbada. A população permanecia constantemente em confrontos armados com os governos que ascendiam ao poder, quase todos oriundos da elite mestiça.

Em 1915 os EUA ocupam o Haiti com suas forças militares em uma onda expansionista pela América Central. Seguindo a ufanista concepção do “Destino Manifsto” - que era a ideologia que sustentava a crença de que, por indicação da Providencia Divina, os EUA deveriam manter a ordem em toda a América – Os estadunidenses ocuparam também outros países como o Panamá, República Dominicana, Nicarágua e Cuba. A ocupação Americana no Haiti se mantém até 1934 quando a conjuntura política e econômica mundial obrigou os EUA a mudarem sua postura em relação à América Latina, adotando a política da Boa Vizinhança (veja no quadro ao lado).

[Em 1929 inicia-se uma grande depressão econômica nos EUA logo após a quebra da bolsa de NY. No mesmo período cresceu a oposição dos governos latino-americanos em relação à política agressiva norte americana. Em 1930 Getúlio Vargas assume o poder no Brasiel e, em 1934 lázaro Cárdenas se elegeu no México. Ambos adotaram políticas econômicas de cunho nacionalista e industrialista. Outros fatores também impulsionaram a mudança na política Americana: Hitler já demonstrava suas intenções na Alemanha e o Japão consolidara sua posição na Manchúria. Uma nova guerra mundial era iminente, os alemães rondavam perigosamente os governos da região. Nesse momento a política do “Big Stick” (grande porrete) foi substituída pela política da ‘boa vizinhança’. Em contrapartida ocorreu uma ofensiva no campo cultura, com o aumento do intercâmbio entre os EUA e os demais países do continente. Nesta guerra pelos “corações e mentes” dos latinos-americanos. Hollywood foi mobilizada: Carmem Miranda e o Zé Carioca são frutos típicos desta época.]

Em 1957, origina-se o período mais tarde conhecido como a era Duvalier, com a ascensão de François Duvalier, o Papa Doc ao poder. Uma característica peculiar desse novo ditador é o nacionalismo e o uso da religião tradicional, o Vudu, como ferramenta de dominação.

Até então o vuduísmo fora marginalizado e o cristianismo imposto sistematicamente. Mas, o novo ditador instituiu uma verdadeira dinastia teocrática, se proclamando não só governante vitalício, mas como um orixá.

Com a morte de François em 1971, seu filho, Jean-Cloude - o Baby Doc, assume o poder com apenas 19 anos e governa até 1986 quando, enfim, a população consegue se organizar contra o governo.

O padre Jean-Bertrand Aristide, ligado à teologia da libertação, iniciou a carreira política nos últimos tempos da ditadura de Baby Doc. Em 1990, elegeu-se presidente, com programa reformista, com quase 70% dos votos, devido ao apoio das populações miseráveis, tanto negras quanto mestiças. Põem, em 30 de setembro de 1991, o Bush pai, na presidência USA, depôs Aristide e o substituiu por militares. Aristide refugiou-se nos Estados Unidos, sob as asas do Partido Democrata que o influenciou, modificando bastante suas convicções políticas.

Sob os novos ventos liberais, agora já com Bill Clinton no governo dos EUA, Aristide volta ao poder em 1994, porém já com um novo programa de governo que privilegiava o capital dos EUA com a criação de diversas zonas francas onde se instalaram indústrias “montadoras” que exploram a mão de obra barata dos haitianos sem pagar impostos.

Com essa política que apenas aprofundou a miséria no país, Aristide passou a sofrer uma forte oposição. Em 2000 foram realizadas eleições na tentativa de legitimar a continuidade de Aristide no poder, entretanto foram levantadas grandes suspeitas de fraudes e a situação de Aristide se tornou delicada. Em fevereiro de 2004, conflitos armados eclodiram pelo norte do país e, gradualmente, os insurgentes assumiram o controle da região, diante da ameaça, Aristide deixou o país e asilou-se na África do Sul.

A partir de então o país passou ao comando de uma força militar da ONU, operada principalmente pelo Brasil, mas sob o comando, é claro, dos EUA.


quarta-feira, 11 de junho de 2008

Educação: Mais que Mercadoria!

É comum e consensual entre os estudantes o repúdio à idéia de educação sendo tratada como mercadoria. A constituição federal define educação como um direito social enquanto até mesmo o projeto neoliberal de reforma universitária, que está parado no congresso, define a educação como um bem público e não como mercadoria.

Entretanto, na prática, sabemos que não é nada disso. O censo da educação superior de 2005 revela que mais de 75% dos alunos matriculados pertenciam ao setor privado enquanto a Organização Mundial do Comércio (OMC) pretende incluir o item educação na lista dos seus serviços comercializáveis. Se isso ocorrer, a educação deverá seguir as mesmas regras de livre comércio dos demais produtos e serviços, não podendo, por exemplo, possuir regulamentações e limites sociais. Se a OMC julgar que a LDB ou mesmo a Constituição Federal dificultam a instalação de faculdades estrangeiras no Brasil o congresso terá que fazer modificações para que o país não sofra sansões internacionais.

Além da educação não ser mais tratada como um direito ou bem público, sua exploração comercial já ultrapassou o estágio de simples mercadoria, agora ela é objeto do capital especulativo e, aos poucos, seus mantenedores deixam de ser falsas instituições filantrópicas (que afirmavam descaradamente que ofereciam educação sem fins lucrativos) para poderem se constituir em grandes holdings educacionais (conjunto de instituições mantidas pela mesma mantenedora). Este é o caso da UNIESP (proprietária da Faculdade do Guarujá – FAG) que já adquiriu 12 instituições de médio e pequeno porte no estado de São Paulo e anunciou expansão para o Distrito Federal e o estado da Bahia.

A UNIMONTE é outro exemplo na Baixada Santista de universidade que passa pelo mesmo processo, a partir da fusão com o Centro Universitário UNA, de Belo Horizonte, ela se constituiu em um grupo educacional menor, porém similar à UNIESP, que pretende crescer a partir do capital de novos investidores, mesmo antes de realizarem uma mudança da sua natureza civil para “entidade com fins lucrativos”.

A maior parte do capital dessas holdings é estrangeiro. O Caso de desnacionalização mais conhecido é o da Anhembi Morumbi, de São Paulo, que foi fracionada e teve 51% de suas ações compradas pelo Grupo Laureate, dos Estados Unidos. Destacam-se ainda outros grupos como o Anhanguera Educacional, que recebeu US$ 12 milhões para financiar sua expansão diretamente do Internacional Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial e o Veris Educacional, de São Paulo, mantenedora das Faculdades IBMEC e IBTA. Atualmente, o jornal Valor Econômico coloca 10 universidades privadas no seu ranking das mil maiores empresas do Brasil.

Neste cenário que os alunos da UNIESP Guarujá (ex-FAG), sofrem com arbitrariedades como a chamada “taxa de desconto” no valor de R$ 220,00 que deve ser paga todo semestre. Sem esse pagamento antecipado a mensalidade ficará R$ 100,00 mais cara. Tal artifício é um abuso, pois se caracteriza como um falseador do valor das mensalidades, dificultando a comparação com outras universidades e prejudicando a livre concorrência.

Para piorar a situação a direção central antecipou a cobrança da taxa para o ultimo dia 20/5, contrariando a informação anterior de que o prazo para o pagamento era até dia 16 de junho. Com isso os estudantes deram um exemplo de cidadania e responderam à altura com um grande ato dentro e fora da faculdade e a direção recuou na antecipação da cobrança. Mais uma vez a mobilização e organização dos estudantes mostraram que somente com luta direta somos ouvidos!


SÓ A AÇÃO DIRETA BARRA OS ATAQUES DA DIRETORIA

EDUCAÇÃO NAO É MERCADORIA!


sábado, 26 de abril de 2008

O que vem ocorrendo na Unifesp

A Unifesp (univ. federal de são paulo) passa por um momento inédito em sua história. Apesar de ser uma universidade constituída desde 1995, a partir da ampliação da EPM (escola paulista de medicina) existente desde 1933, essa universidade não tinha histórico de movimento estudantil, a não ser algumas lutas contra a ditadura que eram senso comum, já que qualquer estudante digno defendia isso.

Desta vez, os alunos se uniram para atuarem contra o Reitor que ulitizou para regalias pessoais o cartão corporativo da instituição, conforme o texto que segue mais abaixo. Infelizmente, tal inexperiência em atuação politica faz com que os alunos atuem de uma forma mais trucanda, diferentemente do que ocorreu na Universidade de Brasilia, onde os estudantes não pensaram muito antes de ocupar a reitoria e botar para fora o reitor corrupto. Mas, o importante é que essa cultura está sendo criada na UNIFESP em todos os campi.

Aqui na Baixada Santista o Centro dos Estudantes de Santos, vem dando sua contribuição, sempre respeitando a autonomia dos estudantes da unifesp, para que o movimento cresça e que os alunos não se esqueçam que é sua obrigação moral lutar contra a corrupção e contra todos os ataques à universidade.


Estudantes da Unifesp se mobilizam contra o Reitor "sapeca"

2008 é o ano que está apenas começando. Depois da derrocada do reitor da Universidade Federal de Brasília (UnB), denunciado por gastar quase meio milhão de reais em mobília para seu apartamento pessoal, foi a vez do reitor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Ulysses Fagundes Neto, ouvir um “ALTO LÁ!” dos estudantes.

Ulysses está sendo acusado de uso indevido do dinheiro público através do conhecido Cartão Corporativo. Entre outras coisas, foi flagrado fazendo compras na disneylândia com este pequeno e discreto cartão para compras variadas. O reitor tentou esclarecer as “acusações indevidas” nesta carta à comunidade universitária.

Diante do desvario que é ver um reitor voltar de viagem, na maior naturalidade do mundo, com orelhinhas de Mickey penduradas na cabeça e pagas pela população brasileira, os estudantes da UNIFESP se mobilizaram estadualmente para se posicionar frente ao crime fina-flor do diretor da universidade.

E o campus da Baixada Santista não ficou de fora. Os estudantes foram para a manifestação em São Paulo, reivindicando a saída do reitor e eleições diretas com participação estudantil na escolha de um substituto. Construíram, também, um calendário próprio, unificado ao calendário estadual de lutas, e estão se organizando para cumpri-lo.

Também haverá um plebiscito estadual sobre a saída do reitor, onde votarão funcionários, estudantes e professores de todos os campi. As urnas estarão montadas na quinta e na sexta-feira, nos dois prédios da Federal (Ana Costa e Ponta da Praia).

O movimento está crescendo – e tem a opinião fundamental de que o buraco é, como sempre, mais embaixo. Entendem que não basta lutar pela garantia do “comportamento ético” dos administradores da universidade. É preciso ir além. É necessário questionar o MODELO de gestão acadêmica. Como se dá a escolha de um reitor? De que modo são tomadas as decisões na universidade? Como se define a abertura de novos cursos e a expansão dos campi? Quem define os rumos financeiros da universidade? Quem pauta e escolhe se haverá restaurantes ou moradias estudantis em um campus e em outro não?

No próximo período, a UNIFESP irá refazer seu estatuto. E os estudantes querem virar o jogo – e deixar de lado o papel coadjutante imposto a eles pelo modelo de universidade criado pela ditadura militar. Querem o fim das decisões no modelo do Conselho Universitário (CONSU), instrumento que inviabiliza a participação efetiva de estudantes e funcionários na tomada de decisão da Federal. Afinal, é possível imaginar que os estudantes e os funcionários NÃO participem diretamente da gestão da universidade onde trabalham, produzem e estudam?

Outras federais estão passando por processos de mobilização semelhantes. A Federal do Amazonas, a de Minas Gerais, a Fluminense e a própria UnB estão se organizando contra o Reuni e as Fundações de Apoio.

Se 1968 é o ano que não terminou, como escreveu Zuenir Ventura, 2008 é o ano que está apenas começando.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Apresentação do Blog

Este blog é pessoal escrito por Fábio Soares Pinto, programador web (meia boca) e militante do movimento estudantil desde 2003 quando cursou informática com enfase em gestão de negócios na FATEC-Praia Grande.

O Objetivo é publicar textos a cerca de política, principalmente politica no movimento estudantil, resaltando as conquistas dos estudantes combativos que, de fato, lutam por uma causa ampla, em conjunto com os trabalhadores, que visa uma mudança estrutural da sociedade.

Faço parte da Juventude Libertária da Resistência Popular: www.juli-rp.org e componho o Centro dos Estudantes de Santos: www.blogdoces.org. Entidade estudantil histórica, fundada em 1932, que atualmente, é das poucas que promove movimento estudantil em faculdades particulares.